Protesto contra Anhanguera reúne estudantes na zona norte de SP
Cerca de 80 alunos de câmpus em Vila Guilherme reclamam de infraestrutura e aulas online
SÃO PAULO - Cerca de 80 estudantes realizaram um protesto na noite
desta segunda-feira, 23, em frente à Uniban da Rua Maria Cândida, no
bairro de Vila Guilherme, zona norte. A manifestação cobrou "respeito"
do grupo educacional Anhanguera, que comprou a Uniban no ano passado por
R$ 510 milhões e implantou um modelo pedagógico que prevê a realização
de 20% do curso por meio de atividades online. Representantes da União
Nacional dos Estudantes (UNE) também participaram da mobilização.
Os manifestantes exigiram melhorias na infraestrutura física e na
grade curricular.
"A Anhanguera cresceu de tal forma que não conseguiu
manter a qualidade", disse o estudante do 3.º ano de Biomedicina Agnaldo
Barbosa, de 53 anos. Os alunos usaram nariz de palhaço e apitos.
Distribuíram panfletos e sentaram na pista, para interromper o trânsito.
Uma aluna do último ano de Pedagogia que preferiu não se identificar
afirmou que os horários de aulas foram reduzidos. Segundo ela, vários
professores estão sem receber salário e alguns ameaçam fazer greve caso a
situação não seja regularizada. "Nem sei se vou conseguir colar grau."
Já a estudante do 2.º ano de Nutrição Camila Santos, de 27, disse que
o curso melhorou após a aquisição da Uniban pela Anhanguera. "Isso aqui
não é uma manifestação, só bagunça", afirmou ao chegar à universidade.
Para Camila, a nova forma de avaliação contribuiu para deixá-la "mais
estimulada". Mas ela reclama da matéria a distância sobre legislação.
"Para mim, é um problema o fato de ser online."
Segundo Lais Gouveia, vice-presidente da UNE em São Paulo, a
Anhanguera vê o estudante "apenas como um código de barras". "A situação
de precarização da estrutura e da grade curricular não se dá apenas
nesta unidade do grupo", afirma. "Aqui não existe o tripé ensino,
pesquisa e extensão que sustenta uma universidade."
A Anhanguera afirmou, em nota, que "vem trabalhando em um projeto de
reforma e manutenção" da unidade da Maria Cândida. "Como parte das obras
de melhoria do câmpus, já foram entregues o novo acervo da biblioteca e
o novo laboratório de informática." Após a manifestação, alunos foram
recebidos pela direção do câmpus. A íntegra da resposta enviada pela
Assessoria de Imprensa pode ser vista
neste link.
Câmpus deserto
Conforme o jornal
O Estado de S. Paulo mostrou na
edição desta segunda-feira, o câmpus da Maria Cândida fica praticamente
vazio nas noites de sexta-feira. O dia é separado para alunos fazerem
exercícios no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), site em que os
estudantes têm acesso a videoaulas, apostilas e exercícios e devem
discutir os assuntos em fóruns e chats.
A prática está de acordo com portaria do Ministério da Educação (MEC)
que autoriza as instituições de ensino a oferecerem até 20% da carga
horária das graduações em módulos semipresenciais. As avaliações têm de
ser presenciais.
Mas os estudantes da Anhanguera reclamam da qualidade das atividades,
de problemas para acessar o material e da falta de acompanhamento de
professores e tutores. Os sindicatos de docentes, por sua vez, falam em
demissões em massa, corte de custos e subversão das orientações do MEC.
A Anhanguera Educacional, cujas ações são negociadas em bolsa, é o
maior grupo privado de ensino superior da América Latina. A companhia
fechou 2011 com valor de mercado de R$ 2,93 bilhões. No ano passado,
comprou a Uniban, na maior aquisição da história do setor no País.
Ultrapassou a marca de 400 mil alunos e consolidou a posição de
liderança com 73 câmpus e 500 polos de educação a distância espalhados
pelo Brasil.
fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,protesto-contra-anhanguera-reune-estudantes-na-zona-norte-de-sp,864531,0.htm
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